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A OPORTUNIDADE COMO DEVER SOCIAL

Antônio Lopes de Sá

 

A forte influência que a antiga civilização grega exerceu sobre o mundo romano e este sobre a nossa cultura ocidental, deixou marcas positivas e algumas negativas.

Uma das negativas foi a forte discriminação dos gregos às mulheres, impedindo que estas se dedicassem á filosofia e a indagação.

O berço da cultura, pois, por muito tempo, marginalizou, sem razões humanas, o sexo feminino.

A maior participação dos homens entre cientistas e pensadores não se deriva, pois, senão, de uma pertinaz discriminação, do ato de tolher as oportunidades ao sexo feminino, este que sempre teve plena capacidade em poder utiliza-las.

Modelos equivocados podem durar muito tempo, mas, não todo o tempo.

Assim, por exemplo, a pacifica aceitação do desemprego como “prática e política econômica” é um acinte e um menosprezo à inteligência.

Se a economia não serve para promover o bem estar social podemos admitir que ela então não serve para nada.

O uso do conhecimento não pode e nem deve ser contrário ao homem e muito menos à sociedade e recuso uma ética que possa aceitar o mal como meta, ainda que temporária.

Muitas mentiras se consagram e hábitos mentirosos também, em nome de uma falsa moralidade, de interesses do poder, de egoísmos de uns poucos ou mesmo de uma classe ou espécie.

As mentiras difundem-se onde a ignorância impera.

As doenças, por exemplo, por milhares de anos foram aceitas pacificamente pelo povo como uma “punição dos deuses”.

Os médicos eram considerados homens que “desafiavam e contrariavam” as divindades.

Na Grécia antiga a epilepsia era chamada de “Doença Sagrada”.

Quando Hipócrates e seus discípulos há quase 2.500 anos atrás, afirmaram que a doença provinha de males naturais encontraram sérias dificuldades e submeteram-se a graves incompreensões.

O fato de alegarem tais sábios que cada doença tinha uma causa e que estas eram provenientes de desequilíbrios orgânicos soou como um desafio às crenças populares.

A força dos poderes religiosos e políticos é tamanha na difusão de idéias e a credulidade do povo é tanta, associada à ignorância, que difícil é a vitória da verdade facilitando a implantação da demagogia e da falsidade conveniente.

Podemos estar vivendo uma era que se denomina a do conhecimento, mas, na realidade a falta deste é ainda intensa e a conseqüência, evidente, comprova-se na aceleração dos bolsões de miséria que se alastram na maioria dos países.

Não é sem fortes razões que não se interessam pela cultura os poderes mal intencionados e nem estes estimulam os caminhos que incentivam o pensamento racional.

A oportunidade, no sentido amplo, para educar-se, para exercer a educação, para o trabalho, todavia, é dever social, logo, uma obrigação relevante do Estado.

Como a injustiça se fez contra o sexo feminino, na participação deste na construção das civilizações, igual hoje é a que se pratica com a adoção de modelos econômicos que se anunciam como salvadores, mas que só fazem infelicitar os povos.

Enquanto prevalecerem os interesses da especulação e o reinado do egoísmo a situação tenderá a prevalecer e as discriminações e mentiras a se disseminarem.

O uso de ciências sociais como a Economia, a Contabilidade, a Administração, a Sociologia, como instrumentos para falsamente justificar mentiras sob o manto de verdade, também hoje tão em uso e em voga, complementa essa dança macabra do jogo da falsidade como manto para os interesses especulativos.

O dever social da outorga da oportunidade para todos se anestesia diante de tudo isto e só a oportunidade de alguns poucos se felicita neste jogo de discriminações.

 

 
 
 
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