DISCUSSÕES SOBRE A INDEPENDÊNCIA DOS AUDITORES 
Antônio Lopes de Sá
Questiona-se, na Comunidade Européia, a posição de independência do auditor, com ênfase para o comportamento profissional .
Algumas reuniões já se realizaram em diversas capitais e o assunto segue o ritmo de aceitar sugestões e comentar posicionamentos .
Elaborou-se um vasto quadro comparativo de normas éticas relativas a Federação Internacional (IFAC) , a Federação Européia (FEE) , dos comentários de comissões e do ultimo encontro de Lisboa (o mais recente) .
A questão da opinião, para que tenha validade perante terceiros, precisa, realmente, estar imune à influência de quaisquer naturezas, pressões ou jogo de interesses e isto parece ser um entendimento generalizado .
A importância da homologação de peças contábeis é de raro valor, especialmente em paises onde a assinatura do Contabilista não é obrigatória nos balanços .
O Brasil está muito mais evoluído que os outros paises nessa matéria porque exige a presença do profissional da empresa e também a aposição de sua assinatura como responsabilidade em todas as peças contábeis .
Em encontros internacionais ouvi de diversos grandes mestres estrangeiros elogios á posição brasileira e a afirmativa que nesse particular agimos com maior dose de correção que em outros .
A mim sempre me pareceu que a falta de assinatura do Contador em um Balanço é o mesmo que de uma petição em juízo sem a assinatura do advogado ou um atestado de óbito sem a assinatura de um médico .
Aqui, a presença do auditor representa mais a de uma opinião, de alguém que, realmente não está subordinado á empresa por ligações trabalhistas .
Lá fora, entretanto, é o auditor quem vai deveras opinar e precisa assegurar, segundo as diretrizes da Comunidade, a imagem fiel do patrimônio e de seus resultados .
Muitos outros temas estão em questão, inclusive os de subcontratações de serviços em empresas que pertencem ao mesmo grupo .
Temas importantes estão em relevo, como, por exemplo, as dos riscos em auditoria, especialmente tendo-se em vista rumorosos casos que afetaram a prática profissional de importantes empresas .
O que em suma se discute são detalhes que precisam ser esclarecidos e também receberem tratamento evolutivo .
Existem já protestos feitos por profissionais e estudiosos que discordam dos resultados dos trabalhos das reuniões e o assunto prossegue em ritmo de expectativa .
As Bolsas de Valores se uniram, igualmente, para reclamar posicionamentos mais incisivos e também investidores de porte desejam reduzir as suas incertezas no que tange a demonstrações .
Na Europa os balanços da Comunidade seguem as diretrizes estabelecidas pelo parlamento de Bruxelas e cada país tem seu plano oficial de contas subordinado a tais regras gerais .
Mesmo assim existem discordâncias relevantes que naturalmente serão aos poucos esclarecidas na medida em que as normas se aproximarem mais dos padrões científicos da Contabilidade .
O problema ético da auditoria, entretanto, promete ainda despertar muita polêmica e há quem fale até em abandonar a área diante de tantas exigências e burocracia que se espera .
Da leitura que fiz dos rascunhos de trabalhos não vejo porque assumir posições tão extremadas mas entendo que realmente necessário se torna dar á questão ética op relevo que merece . |