“EVIDÊNCIA”, COMO CONCEITO 
Antônio Lopes de Sá
A expressão “Evidência” tem sido usada em Contabilidade por influência da importação da mesma, como conceito.
É lícito, a quem não convive com a matéria ou a quem ainda se encontra em fase inicial de estudos, ter dúvidas sobre esta questão.
É legítimo questionar : “Evidência de que”?
Isto, porque a aludida palavra não se completa por si mesma como uma idéia.
No bom vernáculo, evidência significa caráter daquilo que é claro e que não merece dúvida a respeito.
Isto não exclui a dúvida, por paradoxal que pareça, sobre “o que é claro”?
“De que estamos tratando”? é uma pergunta racional.
Ha uma linguagem comum, usada para a conversação entre pessoas, mas, existem também aquelas de comunicação especifica no campo das técnicas, ciências etc.
A Contabilidade exige, antes de tudo, clareza e as expressões que se utilizam em seu campo devem ser abrangentes e inequívocas.
As linguagens se aplicam aos ambientes onde são requeridas, mas, em cada um requerem uma plenitude para o entendimento.
Quando a disciplina exige precisão, como é o caso em matéria contábil, os conceitos possuem maior responsabilidade ainda.
Einstein, em sua obra “Como vejo o Mundo”, Maritain, em sua “Lógica do Conceito”, em suma, muitos foram os grandes autores que apelaram para a necessidade de clareza dos termos.
Os mais destacados intelectuais sempre criticaram a fragilidade, a inconveniência e o subjetivismo nas palavras que devem expressar conceitos.
A palavra deve traduzir uma idéia e esta, se tem a finalidade de representar algo que desejamos transmitir como um conjunto de raciocínios, deve obedecer a rigores lógicos.
Que em inglês se use a palavra “evidência” como um sinônimo de “prova”, de “documento”, nada podemos objetar, mas, este não é o uso e o costume entre nós brasileiros.
O risco de importar termos ou de mal traduzi-los é exatamente o de não alcançarem o significado pleno, especialmente na questão conceptual.
Não vejo porque substituir as expressivas palavras “Prova Documental”, “Documento Contábil” ou similar por “Evidência”.
O “Documento Contábil” é uma “Evidência”, mas, nem toda “evIdência” é um “Documento Contábil”.
Nos campos das literaturas científicas, tecnológicas, didáticas, grave é a responsabilidade de um escritor.
Escrevemos para alguém e nosso dever é o de promover o entendimento.
Não existem maus leitores, mas, sim, maus escritores.
Se o nosso idioma nos é imposto como soberania nacional, como forma obrigatória de comunicação, vedado por lei o uso de termos não brasileiros nos registros contábeis, não há como absorver os de outros idiomas.
Ensinar, escrever, exige responsabilidade e esta inclui aquela da obediência aos deveres pátrios.
Mas, não é só uma questão de disciplina, de ordem, patriotismo ou de imposição legal, é, antes de tudo, a obrigação de fazer-se entender e que é um dever ético para quem ensina ou difunde alguma coisa (sobre este tema veja-se minha obra Ética Profissional, editora Atlas).
O emprego de termos, de conceitos, precisa ter em mira a clareza, a objetividade, o que é inequívoco e útil como representação de idéias e se assim não o for ensejará a má qualidade.
Cada um tem a liberdade de escrever como quer, adotar ou modificar matérias intelectuais, mas, ninguém deve imaginar que se fará entendido ou que cumprirá seus deveres para com os seus semelhantes sem esforçar-se para ser entendido.
Adotar termos estrangeiros onde caberia um nacional, com eficácia, só pode ser entendido como subserviência cultural, pedantismo ou pelo menos incapacidade de encontrar a expressão justa no idioma de seu berço. |