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O ERRO HUMANO E OS QUATRO NÍVEIS DO CONHECIMENTO  

Opinião: Walmir da Rocha Melges

wrm@wrm.cnt.br - Lins-SP, 09.01.1999

Inicialmente queremos estabelecer a hipótese de que sob um enfoque da consciência humana - ou melhor, dizendo de conscientização do ser humano - coexistem no universo do conhecimento humano, quatro níveis distintos de limitação, os quais devem ser apresentados ao ser humano, para que ele possa utilizá-los produtivamente; dois níveis ligados à consciência do ser humano (ou seja, conhecimentos que ele têm e sabe que têm ou conhecimentos que ele não tem e sabe que não tem); e os outros dois ligados à inconsciência (ou seja, conhecimentos que ele tem e não sabe que tem, e conhecimentos que ele não tem e não sabe que não tem). 

Por sua vez, estes níveis, agrupam-se em dois ambientes, o primeiro ligado à consciência da mente humana, ou seja, todas aquelas informações, dados, experiências, fatos e fenômenos, controlados de forma deliberada pelo espírito do ser humano, sobre os quais ele detém o controle e que, portanto são racionais; e o segundo grupo, Iigado à inconsciência da mente humana, ou seja, todas as informações, dados, experiências, fatos e fenômenos, que não são controlados de forma deliberada, mas que agem no subconsciente, de forma instintiva, independente da vontade do ser humano. 

Desenvolvemos esta linha de raciocínio, quando tentávamos entender uma coisa aparentemente simples, que é o ERRO HUMANO, ou as INCONFORMIDADES, como está sendo referido nos programas da qualidade; tão presente na nossa vida, seja nas atividades pessoais, sociais, econômicas, técnicas, e responsável pelos problemas com os quais convivemos no dia a dia, de forma tão importante, que centraliza as atenções dos dirigentes, estudiosos, meios de divulgação de notícias; os quais analisam e noticiam desde problemas econômicos, brigas partidárias, até as mais simples mazelas sociais, pessoais e conjugais. 

Quanto mais pensamos no ERRO HUMANO, e tentamos entender seu nascimento, suas razões, e compreender a sua existência, percebemos que na realidade, para evitá-lo, devemos estudar a sua origem, pois no cerne da sua origem, encontraremos não somente dados concretos, mas também os fatores conceituais e culturais que deram origem ao erro; e da descoberta e identificação destes fatores, podemos desenvolver formas de atuação e a criação de ferramentas que venham auxiliar a diminuição ou mesmo que sejam evitados (erro humano). 

Como efeito prático e produtivo, imaginamos que a utilização deste conceito poderá criar um estado de conscientização, favorável ao desempenho cotidiano das ações pessoais, sociais, econômicas e técnicas, com menores índices de erros humanos. 

Assim, em um esquema Cartesiano, podemos localizar os níveis do conhecimento humano:

Primeiramente, vamos discutir o ambiente ligado à consciência, ou seja, os dois níveis cujos conhecimentos são conhecidas de forma concreta pela maioria dos seres humanos.

 

TUDO QUE EU SEI QUE SEI

 

Este nível é depositário de todo conhecimento e experiência adquirida de forma vivenciada, ou sejam as experiências sofridas, ou realizadas; ou ainda adquiridas de forma emprestada, acumuladas de forma visual e ou auditiva, assimilada pela leitura, pela escuta ou ainda como mero espectador.

 

- Eu sei que sei andar de bicicleta;

- Eu sei que sei nadar em piscinas;

- Eu sei que sei utilizar o computador; etc.

 

TUDO QUE EU SEI QUE NÃO SEI

 

Trata-se da conscientização das limitações do ser humano, ou seja, a consciência dos conhecimentos e experiências que ele sabe que não tem, não vivenciou e não assistiu.

 

- Eu sei que não sei pilotar um helicóptero;

- Eu sei que não sei como saltar de pára-quedas;

- Eu sei que não sei falar a língua alemã; etc.

 

Do ponto de vista de sobrevivência e desenvolvimento do ser humano, a existência desta consciência pode ser utilizada de forma positiva como alavanca para o progresso, pois se eu sei que não sei executar alguma tarefa, ou que não tenho determinado conhecimento, posso desenvolver atitudes e aprendizados que venham suprir minhas deficiências e prover minhas necessidades.

Vamos discutir agora, o ambiente ligado à inconsciência, ou seja, os dois níveis cujos conhecimentos e informações não são conhecidas do ser humano, ou melhor, não estão presentes no consciente de forma concreta da maioria dos seres humanos.  Estes níveis guardam entre si um paradoxo.

 

Tudo que eu não sei que sei

 

Relacionamos neste nível todos os conhecimentos utilizados instintivamente pelo ser humano no decorrer de algum acontecimento, os quais estão depositados em seu subconsciente, sem que ele tenha consciência de tal saber.

A maioria das pessoas, face à determinada ação reage, e depois da reação, estranham que tenham agido daquela forma (principalmente quando colocadas sob forte pressão psicológica).  Inúmeros exemplos são colocados à divulgação, como pessoas que diante de situações catastróficas, conseguem oferecer auxilio aos mais necessitados, servindo-se de artifícios comuns apenas a experimentados profissionais. Ou ainda de pessoas que face a um a circunstância inusitada apresentam soluções inimagináveis.

A situação é perfeitamente conhecida, existindo pequenos fatos no dia a dia de todas as pessoas, onde após tomar determinada decisão, elas surpreendem-se pensando “ora, eu não sabia isto, como fui acertar?”.

Conceitualmente, a existência deste nível de conhecimento (e que no caso em tela não vem ao caso discutir como é formado) é benéfica ao ser humano, na medida em que o ajuda a solucionar problemas, mesmo nos casos em que de princípio ele imagine que não possui os conhecimentos necessários para a solução. Assim sendo, os conhecimentos existentes neste nível não atrapalha o ser humano, mas sim o auxilia.

 

TUDO QUE EU NÃO SEI QUE NÃO SEI

 

Trata-se do nível mais nebuloso do conhecimento humano, qual seja a falta de consciência, do ser humano, de que existem coisas que ele não sabe, que não é do seu domínio

Trata-se do nível de mais difícil conscientização, pois como explicar a alguém que existe algo que ele não sabe, se ele nem ao menos sabe que não sabe, mesmo porquê todos, diante daquilo que não sabem que não sabem, não conseguem motivar-se.

Mas é neste nível, verdadeira terra de ninguém, onde podemos encontrar o nascedouro da maioria dos erros humanos. Diante do desconhecido, alguns agem como se fossem corajosos, quando na realidade apenas são temerários; e justamente da temeridade é que nascem os desvios que, quando positivos beneficiam a humanidade e quando negativos, apenas revelam a estranha e indesejável face do erro humano.

Pode-se perguntar sobre o motivo pelo qual falamos do erro, quando todas as correntes de pensamento nos ensinam que o certo é enaltecer os acertos, que farão com que os erros sejam subjugados e minimizados. Inicialmente, devemos salientar que não fazemos a apologia do erro!  Apenas acreditamos que devemos estuda-los o mais aprofundadamente possível, no sentido de conhecê-los melhor, identificá-los, para posteriormente analisar o seu nascimento, suas causas e efeitos, pelo prisma do conhecimento e da consciência deste fato, em busca de uma maior eficiência e eficácia, mormente nos campos sociais e econômicos, que são aqueles que impactam de forma direta a continuidade da humanidade. 

Acreditamos também, que mesmo em uma corrente positivista, onde de uma forma puramente motivacional fazemos o apanágio dos acertos humanos, devemos estudar o erro de forma a minimizá-lo ou mesmo evitá-lo, pois a realidade é que todos somos protagonistas do fato, ou subordinados de suas conseqüências; ou seja, estamos todos sujeitos à ação desconfortável ou nefasta do erro humano.

Segundo os estudiosos, erro humano pode ser explicado como a interferência, num ato intencional, de um outro acidental e aparentemente sem propósito, produzido pelos mecanismos de um desejo inconsciente, cuja intenção primária é levar a cabo esta realização acidental; conceito que podemos sintetizar como um "ato falho", ou ainda a falta de ação, exercida de forma premeditada ou não intencional, que causa efeitos positivos e ou negativos ao meio. Ele é resultante de atitudes ou falta de atitudes, que prevêem acertos, sejam eles bem ou mal sucedidas, pouco importando o resultado, e sim a disposição em praticar o acerto; e segundo sua ação, podemos tipificá-los como erros Conscientes; premeditados; objetivando o bem (tentativa de produzir benefício); objetivando o mal (dolo, má fé etc.); involuntários; inconscientes.

 

 
 
 
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